Reestilização de um Juniperus

Reestilização de um pequeno Juniperus comercial de viveiro

Este artigo é sobre um trabalho realizado com um pequeno bonsai de Juniperus comercial de 25 cm de altura. É um exemplo de como os bonsai comuns comercializados em gardens e floriculturas podem, se bem trabalhados, se transformarem em árvores com um caminho promissor para se tornarem um bonsai de qualidade.
Abaixo podemos ver a foto do bonsai de Juniperus antes do inicio do trabalho e ao lado um desenho com a perspectiva de futuro projetada para ele.

Esta opção de trabalho é muito importante porque muitas vezes podemos encontrar um excelente material, partindo de bonsai mais simples. Empresas que produzem bonsai em grande quantidade para sua linha comercial, como é o caso do viveiro Bonsai do Campo , na maioria das vezes não tem condições de fazer um melhor refinamento em todos os lotes de plantas que comercializam, por questões simples, como a quantidade de mão de obra necessária para realizar esse processo. Isto faz com que os preços sejam mais acessíveis, apesar de em muitos casos a estrutura básica da árvore ser boa e propiciar diferentes linhas de trabalho, como o que apresentaremos nesse artigo.

No desenho acima podemos observar a estrutura da árvore, onde a marca em vermelho mostra o primeiro galho que deverá ser eliminado. O movimento do tronco e o posicionamento dos galhos foi fundamental para a escolha do material, pois estes se encontravam em locais bastante convenientes para facilitar seu posicionamento após o processo de aramação.
Após realizada uma primeira poda de limpeza na árvore, foi passado um arame ao longo do tronco, o qual primeiramente foi fixado no solo. Este arame foi necessário para corrigir levemente o movimento do tronco.

As fotos acima mostram a escolha da nova frente da árvore sendo que o primeiro e o segundo galho já estão aramados e colocados em suas devidas posições. A estrutura do bonsai sempre deve ser montada de baixo para cima e neste momento inicia-se o trabalho com a copa que também deverá ser aramada completamente. Na ultima foto podemos ver a estrutura de um galho após a aramação onde as ramas devem ser distribuídas por igual para balancear o crescimento do galho e consequentemente melhorar a estética da árvore.

Com o processo de poda e aramação já concluídos, faremos o transplante do bonsai para um vaso melhor e mais adequado. Como podemos ver nas fotos acima, retiramos o Juniperus do vaso antigo e observamos um bom desenvolvimento das raízes. . O processo de reestilização é aplicado com frequência dentro do mundo do bonsai, e nas mais diversas intensidades. Aqui também podemos observar a nova estrutura da árvore, onde realizamos uma poda nas raízes e a preparamos para o plantio no vaso novo.

Resultado final do trabalho. Um Shimpaku estilo Vertical Informal (Moyogi) com 20 cm de altura.

O processo de reestilização não se restringe apenas ao melhoramento da estrutura de um bonsai mais simples, como o exemplo do nosso Juniperus, mas pode também ser radical ao ponto de mudar completamente o estilo de uma árvore. É muito comum nos depararmos com aquele bonsai que foi trabalhado há alguns anos atrás e que com o passar do tempo e apesar de amadurecido, esteticamente já não nos satisfaz com a mesma intensidade. Isto ocorre pela simples evolução dentro da arte do bonsai, onde o tempo nos faz desenvolver uma visão estética mais refinada e o aperfeiçoamento das diferentes técnicas, nos permitem ampliar significativamente as opções.

Um bom exemplo disto são os casos em que trocamos repentinamente a frente de uma árvore, onde um pequeno giro ou inclinação no tronco no momento do plantio, pode fazer uma incrível diferença. O importante é saber que a arte do bonsai cria um universo de possibilidades, mas que somente através do nosso amadurecimento, é que poderemos evoluir e desfrutar do novo.

Esse artigo é antigo, mas o seu conteúdo sempre atual. Saudades do meu eterno amigo e artista Thierry Font, autor dos desenhos.

Carlos Tramujas

Bonsai de Pitanga (formação)

Bonsai a partir de sementes (cultivo no pote)

Quando falamos de Bonsai, costumamos descartar a possibilidade de iniciarmos novas árvores a partir de sementes. Isso esta associado diretamente ao tempo e ao longo caminho que imaginamos que iremos percorrer até atingirmos um resultado satisfatório.
Não podemos deixar de levar em conta que o tempo é apenas um dos pontos do processo de elaboração do bonsai e que se esse “tempo” não for associado a técnicas elaborados e a um bom cultivo ele servirá apenas para marcar a idade da árvore. Cada vez mais já não se menciona mais a idade que a árvore tem, mas sim o tempo que vem sendo trabalhada pelo artista e o que faz realmente diferença nos bonsai de qualidade que vemos ao redor do mundo são as técnicas que são aplicadas com maestria ao longo desses anos.

Na Bonsai do Campo produzimos varias espécies a partir de sementes, principalmente as da família das Myrtaceaes, sendo que um dos principais motivos é a dificuldade de serem enraizadas pelo método tradicional que é reprodução por estacas. São espécies bem populares entre nossas nativas, tais como, Pitanga, Cambuí, Jabuticaba, Uvaia, Cereja silvestre, Cereja do Rio Grande, entre outras tantas e que conferem uma caráter cada vez mais “nacional” ao nosso Bonsai.

Quando os frutos das Myrtaceaes em geral são colhidos frescos como as Pitangas acima, devem ser despolpados e lavados. O melhor é que sejam semeados a seguir, porém, podem também ser deixados para secar sobre um jornal na sombra e depois guardados na parte mais baixa do refrigerador por um período de tempo não muito longo.

A maneira mais simples para semearmos praticamente todos os tipos de sementes é utilizando uma bandeja rasa e que deverá ter vários orifícios de drenagem no fundo. A seguir colocamos uma camada de pedrisco mais grosso para facilitar o escoamento do excesso de água e completamos com areia preferencialmente lavada. Fazemos os sulcos com uma profundidade de 1 cm mais ou menos, colocamos as sementes, cobrimos e regamos.

O tempo de germinação varia conforme a espécie podendo levar de poucos dias até quase um ano no caso de algumas coníferas. Na terceira foto acima podemos observar que os Pinheiros negros germinaram praticamente no mesmo tempo que as Pitangas, ou seja, vinte a trinta dias após a semeadura. Após alguns meses, as plantas devem ser retiradas com cuidado, evitando danificar as raízes mais finas. Nesse caso a semeadura foi feita no final da primavera e as plantas foram retiradas da bandeja em meados do outono.

Nas fotos acima podemos ver a primeira poda de raízes das novas plantas. Uma fase importante, pois nesse momento devemos cortar a raiz pivotante ou as mais grossas, deixando apenas as raízes mais finas. Dessa forma tentamos promover o equilíbrio do crescimento das raízes mais finas que no futuro nos ajudaram a formar um “Nebari” mais proporcional e bem distribuído. Essa poda de raízes é imprescindível que se faça principalmente nas árvores com raízes pivotantes, como por exemplo na Pitanga, Jabuticaba e Cereja do Rio Grande.

Após o preparo das raízes plantamos a pequena muda em um pote pequeno com um substrato com boa drenagem, o que ajudará as novas raízes a se desenvolverem por igual. Um ambiente a meia sombra e regas controladas irão garantir o seu pegamento.
Na terceira foto acima podemos ver o desenvolvimento da nossa muda quase 3 anos após a semeadura. Durante esse período ela foi colocada em um pote maior e vem recebendo cuidados e podas periódicas para promover uma melhor ramificação.
Quando cultivamos plantas em pequenos potes para a formação de pré-bonsai e bonsai temos um incremento muito pequeno no engrossamento do tronco, mas por outro lado com um crescimento mais controlado, conseguimos uma ramificação muito mais fina e equilibrada.

Nas fotos acima vemos que a diferença que separa nossas duas plantas são apenas 5 ou 6 anos de cultivo. Esse bonsai de Pitanga com um tronco de 1,5 cm de diâmetro e 25 cm de altura foi trabalhado somente com podas, sendo que a inspiração principal foi a naturalidade das pitangueiras da natureza.

Bonsai a partir de sementes (cultivo no campo)

A seguir vamos detalhar partes do processo de formação de um Bonsai de Pitanga a partir de um material coletado diretamente do campo e com aproximadamente 1 metro de altura.
Partimos do processo detalhado anteriormente só que nesse caso a planta após já ter um bom pegamento e uma boa ramificação no pote (foto 2), é plantada diretamente no campo com o intuito de conseguirmos um maior incremento no diâmetro do tronco em um menor período de tempo possível. Na foto 3 podemos ver a planta recém arrancada apenas com o torrão enrolado na estopa. Essa árvore permaneceu no chão por um período aproximado de 4 anos sendo podada periodicamente na tentativa também de aumentarmos sua ramificação. Se a tivéssemos deixado crescer livre e sem podas, com certeza seu tronco teria mais do que o dobro do diâmetro atual.

Nas fotos acima vemos o processo da retirada gradativa da terra com um gancho de metal específico para essa finalidade. Esse processo deverá ser realizado com cuidado para não ferirmos o tronco e as raízes da árvore e sempre fazendo o movimento com o gancho do centro para fora do terrão. Neste caso retiramos toda a terra, e uma das garantias para obtermos sucesso foi a escolha da época mais apropriada, ou seja, o início da primavera.

Na primeira foto podemos ver todo o sistema radicular sendo que é importante observarmos o seu crescimento circular em volta do tronco. Isso é característico de plantas que foram cultivadas durante um bom período de tempo em potes e que também apresentam um desenvolvimento proporcional da maioria das raízes. Esse fato se deve à poda da raiz pivotante quando da retirada da muda da sementeira. Se não tivéssemos realizado esse processo teríamos uma raiz principal (pivotante) muito mais grossa e profunda e uma menor presença de raízes finas e secundárias. Nas demais fotos vemos o inicio da poda seletiva de raízes onde buscamos remover as raízes defeituosas e mal posicionadas já pensando em um futuro nebari para o bonsai.

Nas fotos acima podemos ver em diferentes ângulos o trabalho de poda de raízes concluído. Esse seria o tipo de poda padrão para muitas espécies, onde removeríamos as raízes superiores ao nível imaginário do novo plantio, reduzindo o conjunto como um todo para que coubesse em um pote ou em um vaso. Importante frisar que essa poda sempre deverá ser realizada deixando-se uma quantidade suficiente de raízes para não colocar a árvore em risco.

Nessa fase do processo manteremos as raízes envolvidas em um pano úmido para evitarmos sua desidratação e realizaremos uma poda inicial de seleção de galhos utilizando a tesoura de poda e o alicate concavo. Eliminaremos nesse momento os galhos paralelos, aqueles que se cruzam e outros que não nos agradem esteticamente para formação da nova copa da árvore. Promoveríamos agora o plantio que poderia ser em um pote de pré-bonsai ou em um vaso. Nossa opção foi plantá-la diretamente em um vaso de bonsai utilizando um substrato adequado.

Na primeira foto superior vemos nossa árvore recém plantada, a qual foi colocada em uma área sombreada por aproximadamente trinta dias. Importante também nesse período controlarmos a rega para evitarmos que o substrato permaneça constantemente encharcado. Na segunda foto aproximadamente 40 dias depois já observamos o inicio da nova brotação e a partir desse momento já poderemos colocar nossa árvore gradativamente exposta ao sol.

Logo acima podemos ver a árvore brotada no final do outono, ou seja, 8 ou 9 meses depois do plantio no vaso. Essa primeira brotação é muito importante que se deixe crescer livre, principalmente para árvores que tem poucas raízes ou que estão indo para o vaso pela primeira vez. O motivo principal é que essa brotação estimule a formação de um bom sistema radicular como podemos ver na segunda foto. A partir desses momento podemos então começar com as podas e modelagens do bonsai com mais segurança e sabendo que a árvore terá uma boa estrutura radicular para que possa responder com vigor aos procedimentos aplicados.

Nessa ultima foto do trabalho, podemos observar o bonsai de Pitanga com 40 cm de altura em formação. Importante deixar claro que esse é apenas o inicio da caminhada para obtermos um bonsai com mais qualidade. Nesse momento o vaso parece ser muito profundo, o tronco parece ser muito alto e a copa parece ser muito pequena. Mas o importante é não pararmos o nosso processo de criação que deve estar constantemente em evolução.

Bonsai de Pitanga a partir de semente com aproximadamente 60 cm de altura e com pelo menos 10 anos de trabalho após ser retirado do chão. O tempo não para e as técnicas devem evoluir sempre para que possamos amadurecer com sabedoria juntamente com nossos bonsai.

Carlos Tramujas

Serissa Neagari (raízes expostas)

O estilo Neagari ou Raízes Expostas exerce um forte fascínio na maioria dos entusiastas do bonsai, talvez porque nos remeta a situações difíceis e desafiantes na natureza, onde a árvore luta constantemente por sua estabilidade e sobrevivência.
Neste caso em particular, realizaremos o trabalho com um pré-bonsai de Serissa aqui da Bonsai do Campo.
A escolha da Serissa não é aleatória, pois esta espécie em particular apresenta as principais características para a formação de árvores neste estilo, ou seja, possui um sistema radicular vigoroso formando raízes grossas, sinuosas e retorcidas num curto período de tempo.
Essa grande massa de raízes é fundamental para que possamos criar a sensação de estabilidade no bonsai. Jamais devemos pensar em trabalhar árvores neste estilo que não apresentem tais características, pois correríamos o risco de obtermos no final do trabalho um bonsai instável e com um aspecto visual de estar quase caindo do vaso por não conseguir se sustentar sobre poucas e finas raízes. Quando trabalhamos neste estilo, é importante lembrar que no momento em que expomos as raízes, elas passam a fazer parte do tronco da árvore, isso quer dizer que as proporções buscadas para a realização do desenho do bonsai deverão estar baseadas no conjunto formado pelo tronco e também pelas raízes expostas.

Pré-bonsai de Serissa phoetida escolhida para a realização do trabalho. A muda mede aproximadamente 75 cm de altura, incluindo o pote, e iniciamos o trabalho reduzindo a parte área em 50% apenas para facilitar o seu manuseio.

Retiramos a terra pouco a pouco e sempre de cima para baixo, para desta forma expormos gradativamente as raízes e com a ponta da tesoura vamos eliminando pouco a pouco apenas as raízes mais finas, mantendo as mais grossas intactas. Com o Hashi de bambu continuamos a retirar gradativamente a terra evitando ao máximo danificar as raízes mais grossas.

Em pouco tempo já podemos visualizar o bonito sistema radicular, resultado do trabalho de limpeza e poda. Com as raízes expostas, reduzimos proporcionalmente a copa da árvore de acordo com a altura do tronco.

As raízes foram lavadas, sendo que as mais grossas podemos imaginá-las como parte do novo tronco. No momento do plantio é importante utilizarmos o Hashi (palito de bambu) para fazermos a terra penetrar por entre as raízes. Esta primeira etapa do trabalho está terminada, e agora teremos os mesmos cuidados que para qualquer bonsai recém transplantado. A amarração no vaso neste momento é essencial para garantirmos um bom enraizamento inicial.

Na primeira foto acima podemos ver a Serissa logo após o termino do plantio. A segunda foto mostra a forte brotação apenas três meses depois de iniciado o trabalho. Com a Serissa recém transplantada, se inicia o projeto de um novo bonsai. O resultado somente irá aparecer com o tempo e com os devidos cuidados no cultivo.

Três pontos foram fundamentais para a escolha desta muda de Serissa no meio de outras tantas. O primeiro foi a boa ramificação, ou seja, a presença de galhos mais grossos e bem distribuídos em todas as direções; o segundo ponto foi o bonito movimento do tronco e altura, e o terceiro, foram as raízes superficiais que davam o indício de serem grossas, abundantes e bem distribuídas ao redor do tronco.

Com o passar do tempo as raízes assumiram as características do tronco, formando o mesmo tipo de casca e apresentando uma mesma coloração, a qual no início poderá ser bem diferente. A copa da nossa árvore será formada apenas através de podas sucessivas, que no caso das Serissas são plenamente satisfatórias para copas densas e compactas.


Normalmente nas plantas com folhas perenes e pequenas podemos realizar as podas sem nos preocupar se vamos cortar as folhas ou não. O importante é utilizar tesouras bem afiadas e que não mastiguem os pequenos brotos

Como as folhas são pequenas, os cortes acabam se tornando imperceptíveis e com o passar do tempo a planta termina por eliminar as folhas danificadas durante a poda. No caso de plantas com folhas maiores como é o caso dos Ficus ou até mesmo das Jabuticabas, a poda deverá sempre ser feita nos entrenós, evitando cortar as folhas para não deixarmos o bonsai com um aspecto feio e descuidado.

Terminando a poda, podemos perceber nitidamente o delineamento da nova copa da árvore. Na primeira poda eliminamos todos os brotos que ultrapassem a linha imaginária da silhueta da nova copa que queremos formar. O trabalho inicial foi realizado no melhor momento possível, ou seja, no princípio da primavera e o resultado obtido apenas três meses depois foi excelente. Quando fazemos uma operação de poda e transplante, devemos sempre deixar a planta crescer livre por um certo período, visando estimular a formação de novas raízes, e somente então, realizamos a primeira poda. A copa neste caso começa a apresentar um aspecto denso e compacto, que é o objetivo pretendido na formação desse bonsai.

Aspecto da nossa Serissa após a realização da terceira poda. A copa está se tornando cada vez mais densa e ramificada.

Como o processo foi realizado na primavera, aproximadamente trinta dias depois, já iniciamos a adubação, que neste caso foi feita com um adubo químico de liberação lenta (Osmocote). É importante lembrar que os substratos utilizados para bonsai garantem uma boa drenagem, o que é fundamental para um bom desenvolvimento das raízes, só que por outro lado, facilitam também a eliminação de nutrientes. As adubações periódicas são essenciais para que se obtenha um bom resultado, como o que conseguimos no caso desta Serissa. Se não tivéssemos adubado corretamente, é muito possível que o crescimento dos brotos tivesse sido até 50% menos do que conseguimos em apenas três meses. Um ponto também muito importante a ser colocado, é que este é apenas o início do trabalho, e que somente conseguiremos um maior amadurecimento do bonsai através de inúmeras podas ao longo dos anos de cultivo que se seguirão. Este é um exemplo típico de que o tempo é o nosso maior aliado, pois é somente através dele que conseguiremos alcançar os nossos objetivos. Na foto abaixo podemos ver o alto nível de compactação da copa conseguido em apenas alguns meses de cultivo.

Detalhes das raízes, onde podemos perceber que estas agora já fazem parte do tronco da árvore e que estão bem distribuídas e proporcionam um aspecto de estabilidade e de firmeza ao bonsai. Na segunda foto podemos ver o detalhe da brotação exuberante da Serissa com suas pequenas flores brancas.

Carlos Tramujas

Modelagem de uma conífera

Pontos importantes no trabalho com Coníferas

O trabalho apresentado a seguir é relativamente antigo e ocorreu entre os anos de 2000 e 2006, porém é a primeira vez que esta sendo publicado. É referente a formação de um bonsai a partir de um pré-bonsai bruto de Chamaecyparis, o qual foi selecionado no inverno do ano 2000. O Chamaecyparis obtusa var. ‘nana gracilis’ sempre foi uma excelente espécie de conífera para ser trabalhada como bonsai e é conhecido popularmente no Brasil como “Cedro nana”. No Japão recebe o nome de “Hinoki”.

Exemplar de Cedro nana trabalhado na Bonsai do Campo em 2017.

Até um certo tempo os Cedros nana eram facilmente encontrados como pequenos bonsai comerciais em muitos Gardens e Floriculturas, mas atualmente, cada vez mais deixam de ser comercializados devido há um problema que surgiu anos atrás e que resulta no secamento gradativo dos galhos. Esse problema é causado por um fungo que é inoculado por um Coleóptero e costuma ocorrer na maioria dos casos em árvores mais velhas. Esse fungo atacou não somente o Cedro nana, mas diversas outras especies de coníferas espalhadas por varias regiões do mundo.

A dificuldade no tratamento e a “caída de moda” da maioria das coníferas utilizadas em paisagismo fez com que os grandes viveiros de ornamentais praticamente deixassem de produzir esta espécie.
E assim, uma das coníferas mais tradicional, mais bonita e de crescimento mais lento quase que desapareceu do mercado de plantas por completo.

Chamaecyparis obtusa “nana gracilis”
Exemplar coleção Carlos Tramujas de 1995.

O intuito de publicar esse artigo nos dias de hoje é; em primeiro lugar para relembrar a beleza de uma das minhas espécies preferidas, e segundo lugar porque a metodologia deste trabalho pode ser aplicada na maioria das espécies.

Uma das característica importante da grande maioria das coníferas e que deve ser levado em conta no momento da escolha do material, é que estas, costumam não emitir novos brotos nas partes internas dos galhos e no tronco, ou seja, a partir da madeira velha.
Este fator é muito importante no momento da escolha, pois teremos que orientar o nosso trabalho sabendo que não conseguiremos obter uma nova brotação nesses locais e que deveremos aproveitar ao máximo as possibilidades que a planta oferece.

O primeiro passo do processo de formação desse “Cedro nana” foi a eliminação da massa verde da parte superior, onde foram deixados apenas os dois galhos laterais e opostos como podemos ver nas fotos. Um galho na parte traseira da árvore também foi poupado e o mesmo será utilizado como um galho de fundo para dar profundidade ao nosso bonsai, mas que na foto não pode ser observado com clareza.

Cedro nana com 10 anos de idade e medindo 45 cm.
Aspecto da árvore após o corte da parte superior.

A exemplo de muitas outras coníferas, nesta espécie em particular, podemos utilizar com excelentes resultados as técnicas de Shari e Jin, elementos estes encontrados com muita facilidade nos antigos exemplares existentes na natureza. Conseguimos desta forma em um curto espaço de tempo transferir para o bonsai o caráter destas velhas árvores. A escolha desta muda em particular se baseou na boa ramificação dos galhos, na presença de muitos brotos na sua parte interna e próximos ao tronco e no próprio tronco que apresentava uma boa conicidade.

Poda do ápice da árvore.
Realização do Jin na parte superior.
Aparência do Shari encontrando o Jin.

Quando iniciei o trabalho nesta árvore a ideia básica foi trabalhar apenas com estes dois galhos, ou seja, deixar o galho da direita como um primeiro galho e levantar o da esquerda radicalmente para com ele formar não apenas o segundo galho, mas toda a copa da árvore. Este é um processo muito utilizado quando desejamos diminuir a altura da planta e o movimento do tronco nos permite realizar esta operação.

Bonsai apenas seis meses após a primeira modelagem.
Detalhe do no galho utilizado para novo ápice.

Aspecto da árvore aproximadamente seis anos depois de iniciado o trabalho. Podemos observar a boa densidade da copa, resultado do excelente cultivo nos últimos anos.
Realizamos agora processo de pinçagem e aramação onde foi escolhida uma nova frente para o bonsai, sendo que desta forma aproveitaremos melhor o movimento do tronco e destacaremos melhor o nebari da árvore.

Outro fator que propicia esta linha de trabalho é a posição do primeiro galho, que não pode ser muito alto em relação a planta como um todo. Pouco a pouco a árvore vai assumindo a forma idealizada no inicio do trabalho.

Planta antes do inicio do trabalho.
Aparência da árvore apenas seis anos depois.

Na foto abaixo, podemos apreciar o resultado final da modelagem, onde a sequência do trabalho iniciou-se com uma detalhada limpeza da madeira morta e da parte viva do tronco visando destacar ainda mais a bonita coloração avermelhada característica desta espécie. O trabalho de pinçagem e aramação foram realizados da maneira convencional, ou seja, de baixo para cima, buscando a melhor triangulação possível para a árvore.
O primeiro galho foi trabalhado em níveis para reforçar a estabilidade do tronco e melhorar sua proporção. Posteriormente será plantada em um vaso redondo ou oval, na cor marrom ou cinza escuro.

Aspecto final do trabalho, com a árvore na posição correta para o novo plantio.

Texto e fotos: Carlos Tramujas

Cryptomerias e o estilo Chokkan

Trabalhando passo a passo com as criptomérias.

Escrevi esse artigo alguns anos atrás para a Edição nº 01 da extinta e saudosa revista “Como Cultivar Bonsai” da Editora Dois. Foi uma época única no Brasil com 2 ou 3 revistas de bonsai para vender simultaneamente nas bancas de revista. Resolvi publicar aqui no site da Bonsai do Campo, porque considero seu conteúdo importante para a formação de bonsai não só de Cryptomerias, mas também de outras espécies de coníferas. As Cryptomerias são árvores conhecidas em todo o mundo e muito apreciadas pelos bonsaístas de modo geral, principalmente por aqueles que buscam trabalhar árvores no estilo ereto formal (Chokkan). Particularmente, meu interesse por esta espécie não está somente relacionado com suas características morfológicas, mas também pela rapidez com que responde às técnicas aplicadas.
Bom proveito.
Carlos Tramujas

Introdução:

Esta Criptoméria foi arrancada do campo no inverno de 2004 onde media aproximadamente três metros de altura. A copa foi eliminada completamente no momento do arranquio e a árvore ficou medindo apenas um metro e meio a partir do solo. Foi então plantada em um vaso grande de plástico para estimular o desenvolvimento das raízes e a nova brotação na parte inferior do tronco. Encontrei com ela no inverno de 2006 no viveiro da Belvedere onde pude apreciar todo o seu potencial. A perspectiva de trabalhar com uma planta deste porte e com as características básicas para a criação de um bonsai no estilo Chokkan foi realmente muito estimulante.

Cryptomeria japonica no inicio do trabalho de modelagem. Neste momento os galhos da parte superior do tronco já haviam sido eliminados e sua altura era de 1,30 m a partir da base do solo. Foto de agosto de 2006.

Momento de descontração com minha filha, Giovanna. Apesar dos seus 8 anos, ela já manipulava muito bem a tesoura de poda e tinha boas noções de estética.

Com o trabalho de modelagem terminado, após 10 horas de aramação, dá-se início ao processo de plantio. O vaso escolhido é um pouco grande para a planta, mas esta opção se fez necessária para evitar uma poda demasiadamente drástica das raízes neste momento.

Foto tirada em abril de 2007, após 8 meses da realização do primeiro trabalho de modelagem. Observa-se claramente a evolução da árvore, que neste momento mede, com o vaso, 115 cm até a extremidade do Jin.

Detalhe de um dos galhos da árvore. A brotação na parte interna do galho é abundante,  resultado da poda de seleção dos ramos, assim como da aramação, que com o posicionamento correto dos galhos facilitou a ventilação e a entrada do sol, fatores imprescindíveis para o desenvolvimento dos brotos novos.

No local indicado pela pinça, percebe-se o efeito da poda das agulhas, ou seja, a zona cortada com a tesoura assume uma coloração marrom, o que em alguns casos pode até mesmo prejudicar momentaneamente a estética da árvore.

Forma típica dos galhos da região inferior do tronco. Os galhos tendem a crescer de forma alongada e na maioria dos casos são bastante ralos e com uma brotação escassa. Nas coníferas em geral o desenvolvimento dos brotos e dos galhos na zona inferior do tronco é muito mais lenta e demorada, portanto as pinçagens nesta zona deverão ser sempre menos vigorosas que na parte superior da árvore onde o crescimento é mais intenso.

Nesta foto observamos o caminho que devemos seguir para formar o galho da maneira correta. Se observarmos a linha vermelha fica fácil verificar as zonas que precisamos deixar crescer, assim como os brotos, que com o tempo, deverão ser eliminados. Os galhos deverão seguir um desenho semelhante à silhueta geral da árvore, ou seja, uma forma triangular.

Foto de novembro de 2007 em um novo vaso.
O estilo da árvore (Chokkan) foi decisivo para a escolha do vaso. Normalmente para árvores neste estilo, devem ser utilizados vasos retangulares, para que possamos obter uma melhor harmonia e estabilidade do conjunto. Os vasos sem glasura e de cores escuras e neutras, além de acentuarem o vigor da árvore ao destacar ainda mais a coloração do seu tronco, são sempre os mais indicados para serem utilizados com as coníferas em geral.

Algumas considerações importantes.

Pré-bonsai de criptoméria com aproximadamente 6 anos de idade e medindo, fora o pote, 70 cm de altura. Esta muda é procedente de um viveiro de plantas ornamentais e sem dúvida um excelente material. A seguir veremos algumas possibilidades de trabalho.

Foto A
Foto B
Foto C

No primeiro caso (Foto A) , se imaginamos a copa da árvore contida na linha vermelha eliminando o restante da mesma, teríamos um bonsai de pequeno tamanho, onde estaríamos enfatizando, sobremaneira, o seu tronco, criando a sensação de uma árvore pequena, porém, extremamente robusta. Nossa planta neste caso ficaria com aproximadamente 20 cm de altura.

No segundo caso (Foto B), a poda não seria tão radical, e se mantivéssemos a copa dentro da linha vermelha, obteríamos uma árvore também pequena, mas com um tamanho aproximado de 25 a 30 cm. A ênfase não estaria  somente no tronco, mas sim no conjunto que se apresentaria também com uma boa  harmonia.

No terceiro caso (Foto C), a poda seria mais suave, o que resultaria em uma árvore média, com aproximadamente 40 cm. Neste caso o tronco teria um valor ainda mais secundário, pois seria relativamente fino para uma árvore com esta altura. Se a opção escolhida for esta, devemos manter apenas o mínimo de galhos para formar sua estrutura  e com pouca densidade, criando assim uma sensação de estabilidade entre os galhos e o tronco da árvore.

Uma das vantagens das Criptomérias é a intensa brotação que nasce ao longo do tronco. Este tipo de situação é conveniente, pois podemos eliminar os galhos velhos e trabalhar somente com esta nova brotação, ou simplesmente eliminá-la e trabalhar com os galhos velhos. Depende do objetivo e do projeto que queremos realizar.

Nas fotos acima podemos ver um detalhe da poda de um galho utilizando a tesoura de cabo longo da forma correta. Cortamos o galho evitando cortar as folhas laterais para não deixarmos as marcas de “queimado”, mas observamos que mesmo utilizando a tesoura de ponta fina acabamos cortando algumas folhas o que é comum acontecer. O importante sempre é tentar cortar o menos possível.

Nessa árvore foi utilizando apenas o processo de seleção de galhos e agora nos resta esperar a nova brotação para que a folhagem se desenvolva. Neste caso não vamos usar  a aramação e a intenção é começar a formar o bonsai apenas através das podas. Para reduzir o ápice foi feito um Jin na sua extremidade, o qual com o tempo irá conferir um caráter mais antigo ao trabalho. Num primeiro momento é sempre conveniente deixarmos mais galhos que o necessário, pois os mesmos poderão ser eliminados a medida em que a árvore aumente a densificação de sua folhagem. Como podemos ver no detalhe do tronco, os exemplares mais jovens de criptoméria, a casca mais grossa ainda não começou a se formar, mas mesmo assim ele não deixa de apresentar a bonita coloração avermelhada característica desta espécie.

Trabalho realizado com um pré-bonsai de criptoméria. Como podemos ver a planta foi aramada completamente, o que nos garante a colocação dos galhos nas posições corretas para a formação do bonsai. Aqui é fácil verificar a diferença na intensidade da brotação da copa e dos galhos mais baixos da planta.

Detalhe de um galho aramado mostrando a disposição correta dos ramos menores. É importante preencher os espaços para garantir no futuro galhos densos e bem formados. Observa-se a brotação nova no centro do galho, fruto da entrada do sol e da nova disposição do mesmo.

Afastamos a brotação da parte superior da planta para mostrar a poda radical e como esta ficou dissimulada em meio à nova brotação. É a maneira correta de escondermos a poda e criarmos uma pequena árvore sem a utilização do Jin para finalizar o ápice.

Na correta formação dos galhos deve-se eliminar todos os brotos que cresçam para baixo mantendo-os sempre aparados, concentrando a força de crescimento naqueles que nos interessam. Da mesma forma, cortamos também os galhos que crescem  para cima.

Neste pré-bonsai foi realizado uma poda radical em seu ápice, e todos os galhos velhos da planta foram eliminados. O resultado foi o crescimento mais vigoroso dos novos brotos que se encontravam no tronco. Agora seria o momento de fazer uma seleção de galhos e aramar completamente a árvore. O importante é percebermos a capacidade que esta variedade apresenta em reagir aos diferentes tipos de poda. Na segunda foto podemos ver o detalhe do Jin e a exuberância da nova brotação.

Observamos o inicio do crescimento dos novos brotos, estimulados pela poda da extremidade do galho. Esta poda foi realizada para diminuir a extensão do galho.

Aqui vemos este processo em um estágio mais avançado, resultado da poda em um galho um pouco mais grosso. Apesar de sua intensa capacidade regenerativa, a exemplo de outras coníferas, devemos evitar cortar todas as folhas e pequenos brotos de um galho se desejarmos utilizá-lo, pois neste caso será difícil prever sua brotação.

Detalhe da pinçagem realizada com a tesoura de ponta fina. Como os brotos são resistentes se tornam difíceis de serem arrancados com os dedos.
Mesmo na pinçagem devemos tentar evitar o corte nas agulhas. A pinçagem durante o período de crescimento é importante para frearmos o crescimento dos brotos indesejados, estimulando o crescimento daqueles que realmente nos interessam para a formação da árvore.

Outra história para contar.

A Cryptomeria abaixo foi encontrada também em estado bruto no viveiro de plantas Belvedere em 2004 quando então foi arrancada do chão e plantada em um vaso grande de plástico. A árvore foi cortada pela metade, ficando com aproximadamente 2 metros de altura. Na foto abaixo a esquerda se pode observar a a altura da árvore quando o trabalho de modelagem foi iniciado no ano de 2006. A sistemática foi a mesma aplicada para outras plantas arrancadas do chão, que consiste em deixa-las se recuperem por um bom período de tempo para que possam suportar posteriormente as intervenção mais radicais.

Nesse caso foram selecionados apenas poucos galhos para se montar a estrutura da árvore. Na foto da direita que foi tirada em 2016, praticamente 10 anos depois, se pode observar a estrutura já formada da árvore, com um shari grande na parte frontal do tronco cuja intenção foi transmitir ao desenho da árvore um aspecto de muito mais idade.

Aqui em sua foto mais atual com a árvore em 2018. Se observa nitidamente o grande desenvolvimento do bonsai em relação a 2016, apenas 2 anos de cultivo depois da ultima intervenção. Pode se dizer que esse ultimo registro é o que melhor retrata aquele projeto antigo que se iniciou em 2004. Na arte do bonsai é importante lembrar que o tempo é o nosso maior aliado!

Manual do Pessegueiro

Manual de Cuidados para Bonsai de Pêssego e Nectarina

Introdução

Algumas espécies de bonsai de frutíferas, como o caso do pessegueiro e nectarineira, exigem alguns cuidados específicos quanto a poda e tratamentos fitossanitários, pois são plantas mais suscetíveis ao ataque de pragas e doenças.

Os principais fungos que atacam o pessegueiro são: Sarna do Pessegueiro, Furo de bala, Ferrugem, etc. As principais pragas que afetam o pessegueiro são: Cochonilha escama de farinha, pulgões e broca dos ponteiros (mariposa Oriental).

Como o interesse em cultivar estas frutíferas é muito grande, achamos conveniente repassar uma orientação de tratamento preventivo fitossanitário, para que estas plantas sempre permaneçam saudáveis e viçosas.

O tipo de poda e a época correta são imprescindíveis nestas espécies para que o bonsai forme frutos.

No caso de efetuar o tratamento, você deve tomar certos cuidados de proteção, utilizando luvas e máscaras descartáveis e evitar a presença de pessoas e animais durante a aplicação.

Tratamento de inverno e poda:

Em meados de Junho, cerca de 30 dias antes do florescimento, procure pulverizar sua árvore com fungicida a base de cobre, como calda bordalesa ou sulfato de cobre. Um produto comercial fácil de ser encontrado é o Calpick, utilizado na dosagem de 5g por litro de água.

Este tratamento elimina os principais fungos e cochonilhas da planta. Também previne e controla o possível ataque de cochonilhas escama de farinha, que são insetos que permanecem imóveis e grudados no tronco e nos ramos com aparência de pequenas escamas de cor branca. Estas pragas sugam a seiva da planta e causam muitas vezes a morte dos ramos e, em casos de ataque severo, a morte da planta.

A poda deverá ser feita da seguinte forma: após o florescimento, espere os ramos começarem a brotar folhas novas, desde a base até a ponta, para depois podar (encurtar o galho). Você deve encurtar o ramo deixando aproximadamente três brotos para trás, os quais no futuro irão ramificar em três novos ramos. Estes novos ramos são os que irão produzir frutos no próximo ano. Mas lembre-se, só efetue a poda para encurtar o ramo quando todos os brotos acordarem (começarem a emitir a nova brotação).

É fundamental encurtar o comprimento dos ramos (controlar o crescimento do bonsai) e desta forma preparar a brotação de novos ramos que irão frutificar no ano seguinte.
Elimine com a poda os galhos secos ou mal posicionados. No caso de corte de galhos mais grossos, o ideal é que se faça uma pasta com o fungicida e que se pincele no local do corte.

Início da floração do Pessegueiro. Formação do fruto (Pêssego). Formação do fruto (Nectarina).

Tratamento após a florada e durante a Primavera e Verão (fase de brotação e formação de frutos) e poda verde:

Após a florada, quando a planta começar a formar os frutos e saírem brotações de folha, pulverizar a cada 30 dias com uma solução de enxofre associado a um inseticida a base de Malation. O enxofre é um fungicida de baixa toxicidade que pode ser encontrado em floriculturas, agropecuárias e até em alguns supermercados, e pode vir na forma líquida ou em pó solúvel em água. Exemplo: Sulfure mais Malatol (dosagem vide bula). Essas pulverizações preventivas podem ser repetidas mensalmente, até meados de Outono.

Na fase de brotação e crescimento de ramos, caso surjam ramos muito vigorosos, verticais e compridos, você deve podar para reduzi-los, porém somente até o final do mês de Dezembro, pois a partir daí os ramos já começam a formar (diferenciar) as gemas que vão produzir frutos. O pêssego só produz em ramos formados no mesmo ano e na extremidade dos mesmos.

Estas dicas de poda e tratamentos fitossanitários também devem ser aplicados nas Nectarineiras e nas Ameixeiras.

Bonsai de Pêssego em plena frutificação. O exemplar acima pertence ao amigo e bonsaísta Ivson Filipak.

Desfolha

Tudo sobre a “desfolha”
Elio Nowacki entrevista Carlos Tramujas

A desfolha é um dos assuntos que gera informações controversas. Você acha que este assunto merece uma melhor atenção por parte dos bonsaístas?

Acho importante num primeiro momento definir o termo “desfolha”, que nada mais é do que a retirada das folhas de uma árvore através de métodos mecânicos e manuais ou químicos. Este processo poderá ser total ou parcial conforme a necessidade ou o objetivo que queremos alcançar. O método manual consiste na eliminação das folhas com tesouras, pinças desfolhadoras ou até mesmo as mãos e é o método que utilizamos usualmente no cultivo do bonsai. No caso da desfolha química, utilizam-se certos produtos como, por exemplo, a própria uréia em altas concentrações. É um método para se trabalhar com um grande volume de plantas e que deverá ser aplicado sempre com muito cuidado, dependendo do produto utilizado e da espécie em questão.

A desfolha sem dúvida é uma das técnicas utilizadas no bonsai que merece muita atenção. Normalmente as pessoas que estão iniciando na arte, têm um certo receio em realizá-la, até por ainda não terem muita intimidade com as plantas. Para quem não está familiarizado com o assunto, arrancar todas as folhas de uma árvore pode parecer um tanto agressivo, além de gerar dúvidas com relação à integridade da planta. Espero poder esclarecer aqui os principais pontos relacionados com a desfolha.

Tesoura de cabo longo

Pinça desfolhadora

Quais os principais motivos que devem levar alguém a fazer desfolha?

Realizamos a desfolha com as seguintes finalidades:

  • Reduzir o tamanho das folhas da árvore.

Um dos objetivos principais da desfolha é a redução do tamanho das folhas, com a finalidade de obtermos resultados mais harmônicos e proporcionais, principalmente quando trabalhamos com bonsai de pequeno e médio porte. Como normalmente a desfolha é feita no verão onde o vigor da brotação é inferior ao que ocorre na primavera, as folhas se desenvolvem naturalmente menores. Após alguns anos consecutivos utilizando o método da desfolha é possível conseguirmos folhas com um tamanho até vinte vezes inferior ao tamanho das folhas de plantas cultivadas no campo, por exemplo.

Amora (Morus nigra)
Carvalho (Quercus roble)

Premna (Premna obtusifolia)
Zelkova serrata

  • Aumentar a ramificação dos galhos.

O aumento da ramificação dos galhos é resultado do estimulo das gemas dormentes e que estão presentes nas axilas das folhas. Quando retiramos as folhas, estimulamos diretamente o desenvolvimento destas gemas e muitas delas se transformam em novos e pequenos galhos. Para aumentar a probabilidade destas gemas dormentes se desenvolverem, devemos eliminar a extremidade do galho que foi desfolhado, pois desta forma inibiremos o seu crescimento apical, estimulando o desenvolvimento dos brotos localizados na parte interior. Do contrário, se não eliminamos a ponta do broto ou do galho, a força de crescimento irá para sua extremidade fazendo com que cresça em extensão, desenvolvendo desta forma, folhas ainda maiores o que inibirá a brotação na parte interna. Devemos lembrar que quanto maior a ramificação secundária e terciária da árvore, maior será a tendência desta planta em produzir folhas menores.

Maneira correta de cortarmos o pecíolo da folha do Ficus
Corte da extremidade dos ramos para estimularmos as gemas dormentes
  • Estimular o crescimento de certas regiões da planta, inibindo o desenvolvimento de outras.

Utilizamos também a desfolha para favorecer o crescimento em algumas zonas da planta, restringindo ao mesmo tempo o crescimento em outras partes, para desta forma equilibrarmos o desenvolvimento da planta como um todo. Se por exemplo, queremos engrossar um galho de um Acer, quando realizamos a desfolha, eliminamos as folhas de toda a planta, menos do galho que queremos engrossar, desta forma, esta região da planta continuará crescendo continuamente, enquanto o resto da planta, ficará com o crescimento parado, até que se inicie a nova brotação. É muito comum utilizarmos este tipo de desfolha quando queremos criar uma boa conicidade no tronco ajustando o diâmetro do ápice quando este é demasiado fino em relação ao restante da árvore.

  • Troca das folhas em árvores de folhas perenes, eliminando as folhas velhas, danificadas, e com o aspecto feio.

A desfolha neste caso serve para melhorar a estética da árvore, e é utilizada no caso de árvores com folhas perenes, ou seja, que não perdem as folhas no outono. Os ficus em geral são um bom exemplo, já que não perdem as folhas e normalmente no final do inverno estas apresentam um aspecto feito e amarelado. Nestes casos, é muito conveniente trocarmos as folhas todas da árvore, para obtermos uma folhagem nova.

  • Acentuar a coloração outonal em árvores de folhas caducas.

Um dos motivos pelo qual desfolhamos as árvores de folhas caducas é para acentuar a coloração outonal, assim como para garantir uma permanência maior das folhas na planta. Se mantivermos as folhas do crescimento primaveril, muitas vezes ao passar pelo verão as folhas ficam levemente queimadas e quando chegam no outono, elas secam parcialmente ao invés de assumirem a coloração outonal. Do contrario, se fazemos a desfolha no verão, as folhas chegam no outono, muito mais bonitas e vigorosas, tendo mais condições de assimilarem os açucares necessários para a mudança de cor.


  • Realizar aramações durante o verão com a finalidade de refinar a estrutura da árvore.

Quando desfolhamos as árvores no verão, podemos aramar sem problemas, primeiro porque a ausência total de folhas facilita muito a colocação do arame principalmente sem danificar brotos jovens e gemas e segundo porque o crescimento a partir da nova brotação que muitas vezes ocorrerá no final do verão, já não é tão intensa, o que propiciará que o arame fique muitas vezes até o final do inverno.

Sabemos que muitas espécies não aceitam a desfolha. Poderia nos exemplificar? E porque?

Existem duas situações básicas em que não realizamos a desfolha, a primeira delas é quando a espécie não necessita, ou seja, já apresentam folhas com um tamanho bastante reduzido, como é o caso da Serissa, do Cotoneaster, ou da Lonicera. Nestes casos a aplicação desta técnica é inviável, primeiro pelo trabalho exaustivo e depois pelo pequeno resultado obtido. A segunda situação está relacionada com a dificuldade que algumas espécies apresentam em brotarem após a eliminação total das folhas. Como experiência pessoal posso comentar que, sem dúvida, podemos aplicar esta técnica na grande maioria das árvores que são trabalhadas como bonsai, principalmente se aplicamos a técnica de uma maneira correta e respeitando sempre a integridade da árvore. Ao longo dos meus anos dedicados à arte do bonsai, posso dizer que já desfolhei quase todas as espécies que passaram pelas minhas mãos, com resultados bastante satisfatórios. Não posso deixar de comentar sobre as espécies de coníferas em geral, como o caso dos Juniperus, Pinus e Chamaecyparis entre tantas outras, que não aceitam a aplicação da desfolha, com o risco de perdermos a planta. Por outro lado, a grande maioria das caducifólias suporta bem esta técnica, com poucas exceções, como é o caso do Ginkgo biloba, que apresenta uma brotação falha após a aplicação da técnica. Mesmo no Acer palmatum atropurpureum, por exemplo, que é frequentemente citado na literatura como uma espécie que não tolera a desfolha, pela dificuldade que apresenta em desenvolver suas gemas dormentes, tenho aplicado a desfolha com muito sucesso. Já as pitangas, jabuticabas, e outras mirtáceas toleram perfeitamente a aplicação desta técnica. A conclusão a que chegamos com relação a esta técnica é que a medida em que adquirimos mais experiência dentro da arte e desejamos cultivar bonsai com mais intensidade, a desfolha se torna indispensável.

No caso das caducifólias, devemos fazer a desfolha se elas por si próprias não se desfolharem na época propícia?

Este já é outro caso. Como comentei anteriormente, podemos ter como referência de melhor época para realizarmos a desfolha, meados do verão, ou seja, Janeiro e Fevereiro, pois nesta época as árvores têm reservas suficientes para brotarem, mas não com o mesmo vigor da primavera. Na realidade quando fazemos a desfolha no verão, induzimos a planta a pensar que está diante de uma nova primavera. No caso da sua pergunta em específico, realizaremos a desfolha, só que na época de perda normal das folhas, ou seja, na entrada ou entre o outono. Isto se faz necessário quando cultivamos árvores caducas em regiões onde o inverno não é rigoroso o suficiente para fazer as plantas entrarem em dormência. Em alguns casos as árvores cultivadas nestas condições perdem apenas parte das folhas, e o restante deve ser eliminado manualmente. Este processo ajuda um pouco na adaptação da árvore, mas sem as horas de frio suficientes, dificilmente esta planta se desenvolverá em sua plenitude, como, por exemplo, apresentando as bonitas colorações outonais.

Liquidambar
Acer palmatum
Acer rubrum

E a desfolha parcial para incentivar a brotação. Poderia nos esclarecer?

A desfolha parcial já foi comentada anteriormente, e é uma das maneiras de estabelecermos um equilíbrio na harmonia entre todas as zonas da árvore. Podemos utilizá-la para engrossar um primeiro galho, por exemplo, deixando-o crescer a medida em que desfolhamos o restante da planta, ou mesmo para engrossar o ápice no caso de uma poda radical com a substituição do líder. O importante a entendermos no caso da desfolha parcial, é que o elemento da planta que continuar com folhas, seja o galho, o ápice ou mesmo um pequeno broto, ele será privilegiado em crescimento, em relação ao restante dos elementos que formam a estrutura da árvore e que foram desfolhados. Quando falamos em desfolha parcial total da planta, nos referimos na eliminação de uma certa porcentagem da massa verde, para facilitarmos a ventilação e a entrada do sol, como no caso das Bougainvilleas (Primaveras) que brotam com muito vigor, formando massas de folhas demasiadamente densas e compactadas. É importante nestes casos eliminarmos as folhas velhas e grandes e tentarmos fazer com que a copa da árvore respire melhor. Desta forma também prevenimos que os pequenos brotos situados no interior da árvore não sequem por falta de luz. Esta operação é considerada mais uma limpeza do que propriamente uma desfolha.

Bosque de Acer palmatum

Mesmo considerando que nosso país tem dimensões continentais, Carlos, dá para formular uma regrinha sobre desfolha com relação às épocas?

Se entendermos o processo, podemos realizar a desfolha, mesmo sem olharmos para o calendário. O primeiro que devemos observar é que as folhas estejam realmente maduras, ou seja, no máximo do seu tamanho natural e desenvolvimento. O segundo ponto está em observarmos o crescimento geral da planta. O momento da desfolha é justamente entre uma fase de crescimento e outra. Isto pode parecer confuso, mas é fácil de entendermos se observamos, por exemplo, o crescimento de um Acer que começa a se desenvolver com vigor na primavera, onde os brotos podem atingir mais de um metro se deixados crescerem livres. Após este período de brotação intensa, a planta para de crescer por um período, como se estivesse descansando, isto ocorre normalmente no final da primavera e continua até praticamente até o inicio do verão, onde reinicia seu crescimento, só que desta vez com menos vigor e intensidade. O ponto correto para realizarmos a desfolha é momentos antes da planta reiniciar esta segunda fase de crescimento. No caso do Acer e das caducifólias em geral é mais fácil identificarmos esta situação, mas com um pouco de prática passaremos também a identificar nas demais espécies. Estes “melhores momentos” é que definem a quantidade de desfolhas que podem ser realizadas durante o ano, sem estressar demasiadamente as plantas. As bougainvilleas, por exemplo, podem facilmente ser desfolhadas duas ou até três vezes ao longo do ano, principalmente em regiões com climas favoráveis e sem invernos definidos. Como regra básica para quem esta começando, a metade do verão sem dúvida, é o melhor momento. Outro conselho é que comecem apenas com uma desfolha por ano independente da planta, até conhecerem melhor as espécies com que estão trabalhando no momento.

Planta debilitada ou doente pode ser desfolhada?

Este é um dos principais comentários a ser feito nesta entrevista. Não adianta de nada conhecermos as técnicas em profundidade, aplicá-las corretamente, se nossas árvores não tem condições de suportá-las. A desfolha jamais deverá ser aplicada em plantas debilitadas, fracas ou mesmo doentes, com risco de perdermos galhos inteiros e até mesmo a planta toda. A recuperação da planta após a eliminação total das folhas requer uma energia muito grande, portanto devemos antes de fazer a desfolha estarmos atentos para três pontos importantes O primeiro está relacionado com a adubação, pois se adubarmos a planta no momento da desfolha existe a probabilidade das folhas novas virem ainda maiores que as anteriores. Para evitarmos esta surpresa é conveniente realizarmos a ultima adubação três ou quatro semanas antes de desfolharmos, sendo que voltaremos a adubar se for necessário, somente depois do amadurecimento completo das folhas novas. O segundo ponto diz respeito à aplicação da desfolha na época mais adequada, principalmente em regiões com estações definidas, com é o caso do sul do Brasil. Se desfolharmos muito tarde nestas regiões, a planta não terá capacidade de brotar antes de entrar no outono e enfraquecerá bastante. O terceiro ponto está diretamente relacionado com os cuidados básicos após a desfolha. Não devemos esquecer que a absorção de água pelas plantas com a ausência total de folhas é muito pequena ou quase nula, portanto é conveniente também controlarmos a frequência da rega, deixando que o substrato seque levemente entre uma rega e outra. Após a brotação, voltaremos a regar de forma normal. O excesso de água no momento da brotação também poderá aumentar significativamente o tamanho das folhas. O sol é um redutor natural do tamanho das folhas, portanto o melhor após a desfolha é colocarmos a planta a pleno sol, se por acaso for uma espécie mais sensível, deveremos protegê-la apenas nas horas mais quentes do dia. Plantas cultivadas em ambientes sombreados têm naturalmente as folhas maiores do que aquelas cultivadas a pleno sol. Se por acaso temos uma planta doente ou debilitada, deveremos sempre em primeiro lugar recuperar esta planta, antes de aplicarmos qualquer tipo de técnica de poda ou de modelagem.

Cronologicamente, desfolha, aramação, poda de raízes e transplante podem ser feitos num mesmo momento?

Podem em algumas espécies, desde que sejam previamente preparadas para aguentar isso tudo de uma só vez. Como a maioria das desfolhas são realizadas em pleno verão, este sem dúvida não seria o melhor momento para transplantarmos, mas o que podemos fazer sem dúvida é passar um bom arame. As espécies de Ficus em geral toleram a aplicação destas operações simultaneamente. Na Espanha, onde trabalhei, os Ficus eram desfolhados, aramados e transplantados de uma só vez e durante o pleno verão. Os motivos principais são, que a brotação da primavera como é mais intensa resultava em brotações muito vigorosas e, portanto com folhas muito grandes. Outra coisa é que ajudava também a aliviar um pouco o excesso de tarefas com as demais espécies na entrada da primavera. As técnicas de desfolha e aramação quase sempre devem caminhar juntas, uma complementando a outra.

Carlos, muito se fala em desfolha manual ou cortando a folha com tesoura preservando o pecíolo. Poderia nos esclarecer esse assunto?

A desfolha com a pinça desfolhadora ou mesmo com a tesoura é muito trabalhosa, principalmente em árvores grandes e frondosas e muitas vezes durante o processo dá vontade de arrancarmos as folhas com as mãos para terminarmos de uma vez.

Antes de comentarmos sobre plantas específicas, devemos entender o que nos leva a optar por um método ou por outro. Sempre o método manual, arrancando as folhas com os dedos será o mais fácil e o mais rápido, mas para aplicá-lo com segurança, antes devemos observar as gemas dormentes nas axilas das folhas (ponto de inserção do pecíolo no galho) e fazermos um teste. Arrancamos algumas folhas isoladamente e observamos o estado em que ficou a gema dormente. Em algumas situações quando arrancamos uma folha, a gema se destaca do galho e acaba saindo junto com ela, presa ao pecíolo, em outros casos, apesar da gema permanecer no galho fica muito danificada. Um dos fatores de extrema importância que ajuda a minimizar estas dificuldades é que sempre devemos levar em conta o sentido em que arrancamos as folhas e este deverá ser sempre no sentido da extremidade do galho. O Acer palmatum é uma espécie que devemos desfolhar sempre utilizando a tesoura, pois suas gemas são muito sensíveis. A maneira correta de fazermos é cortarmos os pecíolos das folhas pela metade, sendo que depois de alguns dias, estes cairão sozinhos. No Acer buergerianum, por exemplo, a desfolha pode ser manual, e o que fazemos é fecharmos a mão na base do galho com uma leve pressão e puxamos em direção a sua extremidade, arrancando desta forma todas as folhas. Se por acaso não saírem todas, no final do processo repassamos galho por galho eliminando as que permaneceram, mas sempre prestando a atenção no sentido em que as arrancamos. Com os ficus em geral podemos proceder da mesma forma, assim como com as jabuticabeiras, pitangueiras, ulmus e muitas outras espécies.

Verão após a desfolha
Mesmo exemplar no outono

Bem, acho que tivemos uma verdadeira aula sobre desfolha que, com certeza, estará ajudando em muito a todos nós praticantes dessa nobre arte. Muito obrigado Carlos.

Espero em outros momentos poder voltar a dar a minha contribuição para divulgação a arte do bonsai

Entrevista com Carlos Tramujas realizada por Elio Nowacki, então presidente da A.P.B. (Associação Paranaense de Bonsai).

*Fotos Carlos Tramujas

Pinçagem em Shimpaku

Pinçagem profunda em Shimpaku (Juniperus chinensis sargentii)

O objetivo deste artigo é esclarecer um pouco mais sobre a pinçagem no Shimpaku (Juniperus chinensis “sargentii”). Os princípios básicos que serão comentados aqui, poderão servir também para técnicas semelhantes aplicadas em outras coníferas.

Trabalharemos no Shimpaku abaixo, que está necessitando urgente de uma manutenção, pois fazem quase dois anos que não recebe nenhum tipo de pinçagem ou poda.

Esse Shimpaku é proveniente de um enxerto realizado sobre o Juniperus Sueco, acredito que em 2007. Juniperus Sueco é o nome que chamamos aqui na Bonsai do Campo essa espécie de Juniperus. Já haviam me comentado que a espécie seria um “formosana” ou até mesmo um “communis”. Seu aspecto, entretanto, não se aproxima muito da descrição dessas duas espécies. Na realidade, acho que o Sueco surgiu da degeneração do Juniperus “Kaizuka”, no qual suas folhas do tipo escama se transformaram em aciculares. É uma espécie muito comum no Brasil e seu crescimento é bem rápido, sendo este o principal motivo pelo qual é um dos escolhidos como cavalo para o enxerto de Shimpaku.

Ele foi trabalhado pela primeira vez em 2012 e, no ano seguinte, foi plantado nessa pedra. Não me lembro exatamente de onde ela veio,mas já esta aí há mais de 4 anos. Tem gente que gosta muito dessa composição e tem gente que simplesmente a detesta, mas isso não vem ao caso. O importante para se comentar é que a saliência da pedra não é muito grande e já se vão 4 anos sem a realização de nenhum transplante. Outro detalhe importante é que essa árvore foi aramada somente uma vez em 2013. As intervenções posteriores foram a retirada do arame e e algumas pinçagens estéticas esporádicas.

A adubação utilizada durante este período foi apenas química com Osmocote Plus (15:09:12 com micronutrientes) a cada 3 ou 4 meses. Como pode-se observar, o resultado foi muito bom e a planta se apresenta com um aspecto saudável e com um crescimento vigoroso.

Para mim, o melhor desempenho da árvore é após o segundo ano de transplante, quando seu crescimento já esta mais estável e balanceado. No primeiro ano, o crescimento é sempre meio descontrolado e às vezes meio falho em algumas espécies, mas a partir do segundo ano você pode contar com uma boa estabilidade e as respostas aos procedimentos são mais satisfatórias.

Chamamos de pinçagem as podas superficiais realizadas principalmente com a finalidade estética, seja para manter a forma da árvore como um todo, seja para aumentar e densificar sua ramificação.

No Shimpaku não é diferente. Como podemos observar nas fotos, seus galhos formados em patamares estão muito densos e com um volume muito grande, o que faz com que a planta perca sua forma original. A pinçagem nos Juniperus em geral deve ser realizada com uma tesoura de ponta fina bem afiada e não apenas com os dedos, como é citado em algumas literaturas.

Tanto para a pinçagem básica de manutenção estética quanto para a pinçagem profunda, devemos sempre utilizar a tesoura. Seguramos a extremidade do broto saliente com os dedos e o cortamos próximo a sua base, mantendo a integridade das folhas que estão ao seu redor. Essa é a forma correta, e mesmo que aparentemente surjam pequenas falhas, estas serão preenchidas com o primeiro crescimento da planta. Utilizando apenas os dedos, danificamos muito a extremidade das folhas, o que prejudicará seu crescimento posterior e deixará o galho com um aspecto de queimado.

Utilizaremos a ponta dos dedos para fazer apenas um acabamento, eliminando alguns pequenos brotos que estejam influenciando no desenho e na estética do galho. Nas fotos acima vemos o exemplo desse acabamento e o galho com a pinçagem estética finalizada. Essa é o tipo de intervenção que faríamos por exemplo, para prepararmos o bonsai para uma exposição ou simplesmente para mantê-lo bonito em nossa bancada. Se a planta estiver crescendo com vigor, esse tipo de pinçagem deverá ser feita praticamente todos os anos durante o outono ou o inverno, para que, quando chegue a primavera, o galho tenha melhores possibilidades de brotar por igual.

No caso desse Juniperus em questão, uma pinçagem superficial não seria o suficiente, pois a falta de pinçagens anteriores fez com que os galhos se tornassem muito densos e “altos”. A simples pinçagem não resolveria o problema de espaço entre os galhos, fator imprescindível para a ventilação e a entrada de sol. As partes sobrepostas e abafadas da folhagem começariam a enfraquecer até secar por completo.

Nessas condições poderíamos ter duas alternativas:

  • A primeira seria realizar uma limpeza no interior do galho e uma poda com o intuito de prepará-lo para receber uma nova aramação. Seria um procedimento diferente do que realizaremos na pinçagem profunda, pois o objetivo não é esse, ou seja, não pretendemos aramar a árvore esse ano.
  • A segunda seria a pinçagem profunda, raleando o galho por igual e diminuindo ao máximo sua altura. Dessa forma atingiríamos nosso objetivo de prorrogarmos a nova aramação por mais um ano ou dois e propiciaríamos uma boa ventilação e a entrada do sol, o que estimularia o crescimento de novos brotos no interior do galho.

Nas fotos acima pode-se observar nitidamente a diferença entre a pinçagem estética ou de manutenção e a pinçagem profunda. Note que a após ser realizada a pinçagem profunda, a densidade nas diferentes partes do galho deverá ser praticamente a mesma. Isso facilitará uma brotação por igual.

Essa sequência de fotos mostra a continuação do processo de pinçagem em outro galho. O procedimento é o mesmo, sempre utilizando a tesoura de ponta fina e prestando a atenção no local onde os brotos e pequenos galhos serão cortados.

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Um Shimpaku quando “bem cultivado” não apresenta distinção de brotação e crescimento entre as diferentes partes da planta, ou seja, ele brota por igual. Nesse caso podemos proceder com a pinçagem profunda também com mesma intensidade independentemente se é a copa ou se são os galhos mais baixos da árvore. Não é como o pinheiro negro, que temos que fazer a poda com intensidades diferentes dependendo se trabalhamos na copa ou nos galhos baixeiros da árvore.

As fotos mostram o trabalho já concluído e a árvore em diferentes posições, pode-se observar melhor a linha do tronco e a disposição dos galhos. A planta perdeu mais de 50% de massa verde, mas mesmo assim será colocada diretamente no sol. O Shimpaku é muito resistente e precisa de sol direto para mostrar todo seu esplendor. Existem quatro coisas que o Shimpaku não tolera; ambiente interno, regiões com clima muito quente, ausência de sol direto e falta de água. É uma das coníferas mais resistentes dentre as espécies tradicionais utilizadas no cultivo do Bonsai.

Comparativo do “antes” e “depois” da técnica da pinçagem profunda aplicada em toda a árvore.

A próxima etapa do trabalho agora será inspecionar a madeira morta e verificar se não há pontos de podridão. Fazer uma boa limpeza, ajustar a linha da parte viva da casca (veio), se for necessário e aplicar a calda sulfocálcica. Ao contrário do que muitos pensam, o uso da calda sulfocálcica não é meramente estético e com a finalidade de branquear a madeira. Deve ser usada de duas a três vezes por ano como agente preventivo e curativo para eventuais fungos que ajudam na deterioração da madeira.

O transplante da árvore será realizado durante o inverno, antes do início da primavera.

Só para lembrar…

A poda das coníferas em geral deve ser realizada sempre com a ponta da tesoura, cortando apenas a base do galho que queremos eliminar e não as folhas que estão a sua volta. Nas fotos acima, vemos a poda em um Shimpaku, onde primeiramente selecionamos o galho que queremos eliminar, verificamos a altura que queremos cortar e então realizamos o corte.

A foto acima mostra o efeito do corte das folhas do Juniperus com a tesoura. Com o tempo as extremidades acabam secando e ficando com um aspecto de queimado. Isso ocorre em todas as coníferas e além de prejudicar a estética da árvore, prejudica também o surgimento da nova brotação. Isso ocorre também quando fazemos a sucessiva pinçagem com os dedos para tentar acertar o desenho de um galho.

Carlos Tramujas

Pragas e Doenças

Pragas e doenças que afetam os bonsai e os principais produtos utilizados para seu controle

Primeiramente é importante esclarecer a diferença entre pragas e doenças.

Entendemos como Pragas, os insetos, ácaros, moluscos, nematoides, etc, que atacam as plantas, com intuito de se alimentarem e também de utilizá-las como hospedeiras, para fins de reprodução, causando danos e muitas vezes a morte da planta. Na maioria das vezes as pragas são visíveis a olho nu, como por exemplo, os pulgões. Muitos insetos, ao atacarem as plantas, liberam também uma toxina que as danificam e inibem o seu crescimento e desenvolvimento. Alguns insetos também são vetores, ou porta de entrada de doenças como viroses e fungos.

Entendemos como Doenças, o ataque de patógenos como fungos, bactérias ou vírus, os quais afetam o tecido vegetal, causando sintomas como ferrugem, manchas necróticas, pintas pretas ou ainda apodrecimento e murcha da planta, debilitando as mesmas. As Doenças também podem causar danos irreversíveis e a morte da planta. 

Ácaros
Ferrugem

De uma maneira geral, as pragas e doenças que afetam as plantas nos jardins, hortas e pomares, são as mesmas que afetam o Bonsai. Podemos então utilizar os mesmos produtos para tratamento.

Vamos abordar aqui os principais inseticidas e fungicidas disponíveis em floriculturas, Garden Centers, supermercados e casas agropecuárias, os quais chamamos de defensivos ou produtos domissanitários (uso doméstico), e também os que denominamos de Defensivos agrícolas.

A principal vantagem dos produtos domissanitários, é que podemos encontrá-los em pequenas quantidades, e também porque possuem registro e liberação de venda para uso doméstico. Outra vantagem consiste no fato de serem menos tóxicos que os defensivos agrícolas convencionais.

Já os defensivos agrícolas, normalmente são vendidos em embalagens maiores, são mais tóxicos, requerem cuidados especiais e são comercializados somente com orientação e receituário elaborado por um agrônomo. Normalmente os produtos domissanitários são mais preventivos e agem por contato, não sendo absorvidos e translocados pelo sistema circulatório da planta, portanto não tendo em muitos casos, ação sistêmica e curativa. Eles possuem também um efeito residual menor, sendo então utilizados de maneira mais preventiva do que curativa nos tratamentos de pragas e doenças. Porém, atualmente existem alguns produtos domissanitários mais modernos, que já possuem as propriedades sistêmicas e curativas. Sempre que a planta estiver com sintomas e no caso de grandes infestações, devemos dar preferência a esses tipos de produtos, ou no caso de cultivos maiores de Bonsai, utilizar os Defensivos Agrícolas, porém sempre com a orientação de um Agrônomo.

No caso dos Defensivos agrícolas, é importante antes de iniciar o processo de tratamento em seu Bonsai, adquirir um bom pulverizador e um kit de proteção individual, como luvas, máscara, roupa de proteção, óculos, etc.. Procure sempre efetuar o tratamento pela manhã ou à tardinha, isto é, nas horas com menos vento e sol quente, assim como isolar do local de aplicação os animais domésticos, após a aplicação. É importante seguir sempre as instruções e “cuidados de uso” presentes no rótulo da embalagem dos produtos.

Produtos domissanitários

PRINCIPAIS PRAGAS QUE AFETAM O BONSAI E OS SEUS RESPECTIVOS TRATAMENTOS

Pulgões
São minúsculos insetos sugadores, que normalmente são encontrados em grupos, e que atacam folhas, caules, flores e brotos novos das plantas. São pequenos e se assemelham a piolhos que caminham lentamente, formando pequenos agrupamentos. São visíveis a olho nu, e normalmente atacam as partes mais tenras da planta, principalmente as folhas, e brotos novos causando amarelecimento e encarquilhamento dos mesmos. Os Pulgões (Afídeos) podem ter várias colorações, como verdes, pretos, amarelos, castanhos etc. Seu dano é causado por sugarem a seiva da planta, liberando uma toxina para a mesma. Seus excrementos são um melado doce, que muitas vezes atraem formigas.

Seu controle é relativamente fácil, podendo-se utilizar um bom Inseticida, como o Forth Inseticida , a base de Deltametrina, na diluição de 30ml por litro de água  ou Forth Defende, a base de óleo de Neen , na diluição de 30ml por litro de água, sendo este último mais preventivo. Pulverize toda a copa da planta uma vez por semana até que as pragas desapareçam por completo.

Cochonilhas
São insetos sugadores, semelhantes a pequenas escamas, e que aparecem grudados no tronco, caule e folhas das plantas. Podem se apresentar em várias colorações e tamanhos, sendo, na maioria das vezes, visualizados a olho nu. Assim como os pulgões, eles sugam a seiva e excretam um melado doce, atraindo muitas vezes formigas e também um tipo de fuligem preta (fungo) denominado de Fumagina. As cochonilhas se diferenciam dos pulgões pelo fato de permanecerem sempre fixas na planta e por possuírem uma pequena carapaça que recobre o seu corpo. Também formam agrupamentos nos tecidos da planta, como caule, folhas, tronco, etc.

Para seu controle, recomendamos um inseticida, que pode ser o mesmo utilizado para combater pulgões, como o Forth Inseticida , associado a um  inseticida á base de óleo vegetal como o Forth Óleo, cuja função seria matar o inseto por asfixia, assim como para limpar o possível fungo preto que pode se criar devido ao seus excrementos, denominado de Fumagina. Podemos utilizar então o Forth Inseticida (30ml/1 litro) mais Forth Óleo (20ml/1 litro) e pulverizarmos semanalmente até que os insetos desapareçam. Podemos utilizar também, mas de uma maneira preventiva, o óleo de Neen, Forth Defende, pulverizando a planta preventivamente a cada 30 dias, utilizando 30ml por litro.

Ácaros
São minúsculas e quase microscópicas aranhas (família dos aracnídeos) que vivem em agrupamentos, caminhando e se alimentando da parte superficial das folhas e brotos novos, que assim como os pulgões, acabam liberando uma toxina que debilita toda a planta. Normalmente são vistos através de lupas e se localizam principalmente nas folhas, formando minúsculas teias ao longo das mesmas. Como sintomas, temos plantas amareladas, desbotadas e, por vezes, encontramos uma fina teia que recobre as folhas. Incidem muito nos bonsai que permanecem muito tempo em locais fechados, com pouca luminosidade e sem ventilação. Muitas vezes batemos os brotos e folhas na palma das mãos ou numa folha de papel branco e, se tivermos paciência, veremos essas minúsculas aranhas caminhando lentamente sobre o papel.

Para combatermos os ácaros, devemos pulverizar a planta com inseticidas que tenham ação acaricida, como Forth Acaricida 120 SC, a base de Bifentrina, na dosagem de 5ml por litro de água. Repetir semanalmente. Fazer no mínimo 3 aplicações. Como preventivo, pode-se aplicar regularmente o Forth Defende, a base de óleo de neen, na dosagem de 30ml por litro. Também temos algum efeito preventivo e protetivo utilizando um fungicida acaricida a base de Enxofre, como o Enxofre Dimy, vendido em envelopes de 30 gramas, utilizando-se 3 g por litro de água, ou ainda o Forth Enxofre na dosagem de 5ml por litro pulverizando toda a superfície da planta aproximadamente a cada 30 dias.
Outro produto que pode funcionar, devido a sua composição com enxofre, seria a Calda Sulfocálcica com o nome comercial de Calda Sulfertilizante, na dosagem de 10ml por litro de água e pulverizando toda a superfície da planta semanalmente até desaparecerem os sintomas. Uma observação importante a se considerar, é de que existe uma incompatibilidade entre os produtos à base de enxofre e os produtos à base de óleo mineral ou vegetal, devendo-se dar um intervalo de no mínimo 7 dias, caso for alternar a aplicação dos mesmos, e jamais misturar os dois produtos.

É muito comum o ataque de ácaros em Bonsai de Coníferas da família dos Juniperus conhecidos como Shimpaku, Jacaré, Mini Jacaré e Juniperus procumbens nana. Neste caso a planta fica com um tom desbotado e amarelado e com a brotação desuniforme. Estes ataques quase sempre estão relacionados à pouca exposição ao sol e em plantas que ficam por longos períodos em locais internos e sem ventilação natural.

Outra espécie de Bonsai que é muito atacado por ácaros e principalmente no verão, é o Acer burgerianum. Neste caso, os sintomas consistem em brotos de folhas atrofiadas, engruvinhadas,  e que não conseguem se desenvolver, prejudicando de forma significativa o crescimento e desenvolvimento da planta nessa época do ano, sendo então necessário pulverizarmos com certa regularidade o Forth Acaricida, como forma de prevenção , por pelo menos cada 15 dias.

O principal método para prevenção e controle de ácaros seria a limpeza constante da planta, como retirada de folhas velhas, pó e sujeira das folhas, seguido de uma pulverização com Óleo vegetal ou óleo de Neen (Forth Defende ou Forth Óleo), além de procurar manter a planta bem ventilada, ao ar livre e com bastante incidência de sol.

Ácaros brotação Acer palmatum
Ataque de ácaros em Azaleia

Lagartas
Lagartas são as formas jovens das borboletas e mariposas. Estes insetos se alimentam de folhas e partes tenras das plantas. Os sintomas são o aparecimento de folhas ou parte tenras cortadas e comidas. Muitas vezes a lagarta se esconde no solo durante o dia e ataca as plantas durante a noite, deixando como marca também seus excrementos no solo, semelhante a pequenas bolinhas em carreiro. Algumas lagartas possuem cerdas de veneno ao longo do corpo, que podem causar graves danos, tanto para o ser humano, quanto para animais domésticos.

Normalmente são controladas através de pulverizações com inseticidas domésticos específicos, os mesmos citados anteriormente para o controle de pulgões, como Forth Inseticida na dosagem de 30ml por litro de água. Pulverize semanalmente até desaparecerem os sintomas.

Formigas cortadeiras
As formigas cortadeiras se caracterizam por formarem carreiros próximo às plantas atacadas, e por cortarem a maioria das folhas e flores das plantas, deixando muitas vezes os ramos sem nenhuma folha. Quando o ataque é parcial, assemelha-se muito com os sintomas de ataque de lagartas.

Pode-se repeli-las com inseticidas tradicionais (Forth Inseticida ou Forth Defende), mas o controle mais efetivo é feito colocando-se iscas granuladas, específicas para formigas cortadeiras, aplicando-as ao lado dos carreiros das formigas, ou próximo às plantas atacadas. Normalmente essas iscas são encontradas facilmente em casas agropecuárias ou floriculturas. Para o controle, recomendamos o Inseticida Formicida Forth Isca.

Trips
São pequenos insetos sugadores que voam e saltam quando chacoalhamos a planta, sendo que suas formas jovens são do tamanho de pulgões e cujo sintoma principal de ataque é o enrolamento das folhas jovens, formando um tipo de casulo, que quando aberto expõe os minúsculos insetos no seu interior. Este tipo de ataque é muito comum em Bonsai de Ficus e que dependendo do nível de infestação devem ser totalmente desfolhados antes da aplicação do produto.

Seu controle consiste na pulverização semanal com inseticidas como Forth Inseticida , a base de Deltametrina , na dosagem de 30ml por litro de água ou Forth Acaricida, a base de Bifentrina, na dosagem de 5ml por litro de água , semanalmente , até desaparecerem os sintomas.

Lesmas e caracóis
Assim como para controle de formigas cortadeiras, hoje já existem no mercado iscas granuladas específicas e atrativas para controle de lesmas e caracóis, bastando-se colocar a isca próximo às plantas atacadas. Recomendamos o Forth Lesmicida.

Outros pragas
Importante citarmos também outras pragas menos comuns, como as Larvas Minadoras que costumam atacar as pitangueiras e os Citrus, Moscas brancas, Vaquinhas, Nematoides e Brocas. Para as Larvas minadoras, cujo sintomas são pequenos carreiros cheios de curvas na superfície das folhas, e Moscas brancas, cujo sintomas são brotos apicais comidos e danificados, devemos lançar mão de inseticidas como o Forth Inseticida na dosagem de 30ml por litro de água ou o Forth Acaricida,  ou ainda algum dos inseticidas anteriores citados como preventivos.
Uma dica importante: para controle de pragas como Trips, Larva Minadora e Mosca Branca, a utilização do Foth Acaricida a base de Bifentrina na dosagem de 5ml por litro de água, tem se mostrado mais eficaz. Pulverize semanalmente até desaparecerem os sintomas.

Larva minadora
Mosca branca
Vaquinha

Vaquinhas
Para as Vaquinhas, que são minúsculos besourinhos verdes com pintas amarelas, e que comem as folhas, podemos lançar mão dos mesmos inseticidas para pulgões, cochonilhas e lagartas (Forth Inseticida).

Nematóides
Os nematoides são pequenos vermes que se alojam nas raízes, formando um inchaço nas mesmas e acarretando pequenos nódulos chamados de galhas, fazendo com que a planta se torne fraca e amarelada. O controle de nematoides é muito difícil e seria preciso lançar mão dos defensivos agrícolas de alto risco e toxicidade, como o Furadan.

Brocas
São minúsculos besouros que atacam principalmente o troco e a haste dos ramos das plantas, deixando pequenos furinhos no tronco. Tem sido comum o ataque de brocas em Juniperos chinensis, Juniperus horizontalis e Juniperus procumbens. Nessas coníferas, além dos furinhos no tronco, se observa o secamento e morte de pequenos ramos de folhas, isto é, surgem pequenos tufos de ramos secos na copa das plantas atacadas. Esses raminhos de folhas secas se soltam facilmente quando puxados com os dedos, sendo este o sintoma mais característico para se identificar esse tipo de praga em coníferas.

No caso de ataque de brocas, o ideal é pulverizarmos semanalmente com um inseticida organofosforado à base de Clorpirifós. Tente encontrar um produto da linha doméstica com essa composição. Ou pulverizar com Forth inseticida, a base de Deltametrina, na dosagem de 30ml por litro de água, associado ainda ao Forth Acaricida, a base de Bifentrina (5ml por litro). Pulverize semanalmente , até o desaparecimento dos sintomas.

PRINCIPAIS DOENÇAS QUE AFETAM O BONSAI E OS SEUS RESPECTIVOS TRATAMENTOS

Fungos
Normalmente os principais agentes causadores de doenças em Bonsai são os fungos, cujos sintomas principais são: manchas necróticas e arredondadas nas folhas, ferrugem, podridão de raízes, amarelecimento, murcha da planta e seca de ramos inteiros e, algumas vezes, morte da planta. O ataque de fungos, na maioria das vezes, está associado ao excesso de umidade e ou temperaturas elevadas, assim como plantas estressadas e mal adubadas. Portanto, atacam mais os bonsai que permanecem por longo tempo em ambientes fechados e sem ventilação, e ainda os que são regados em demasia e mantidos em local sem ventilação, não possibilitando desta forma que o substrato seque naturalmente até a próxima rega.

Fungicidas preventivos e com ação de contato

São aqueles que possuem uma ação mais preventiva e de contato, devendo ser utilizados para uma melhor eficiência, no inicio dos sintomas.

O Forth Fungicida Cobre, a base de cobre, pode ser utilizado como preventivo e a dosagem indicada é de 5ml por litro de água. A Calda Bordaleza também poderá ser utilizada com essa mesma finalidade. Devemos ficar atentos, porque o cobre pode ser fitotóxico para as folhas de algumas plantas do grupo das Caducas (perdem as folhas no Outono), na fase em que elas se encontram com folhas, devendo-se assim, evitar a aplicação desses produtos nesse período. Como exemplo, podemos citar algumas espécies da Família das Rosáceas, como Macieiras, Pessegueiros e Ameixeiras. Neste caso, recomendamos o Cobre somente no Inverno, após perderem as folhas.

Para essas plantas que não toleram o Cobre, podemos substituir o Cobre por um Fungicida preventivo a base de Enxofre, como o Enxofre Dimy, envelope de 30 gramas, sendo sua dosagem 3g por litro de água ou ainda o Forth Enxofre na dosagem de 5ml por litro pulverizando regularmente toda a planta. Pode ser usado ainda a Calda Sulfocálcica, (Calda Sulfertilizante) em frasco de 1 litro (Indústria Sulfertilizante de São Joaquim SC), sendo sua dosagem 10ml por litro de água .

Estes são fungicidas preventivos ou para sintomas leves, para os principais tipos de fungos, como os que causam manchas foliares, ferrugens, podridões, etc. O tratamento deve ser feito no início dos primeiros sintomas, pulverizando toda a planta e repetindo semanalmente até o desaparecimento dos sintomas ou pulverizando preventivamente a cada 15 ou 20 dias.

Tratamento de Inverno para os Bonsai de folha caduca

Para os Bonsai de folha caduca como os Acer, Macieiras, Pessegueiros , Ameixeiras, Amoreiras,  etc. , recomendamos um tratamento muito importante para a prevenção de Fungos, que deve ser feito no Inverno , após a queda das folhas. Utilizamos então a Calda Sulfocálcica , descrita acima , porém com uma dosagem bem mais concentrada, na proporção  (10%) de 100 ml de calda para 1 litro de água. Recomendam-se duas aplicações desta Calda no Inverno. Esse tratamento serve também para eliminar as algas e liquens que se fixam nos ramos e tronco das plantas.

No caso de corte de galhos mais grossos em seu bonsai, procure aplicar sempre uma pasta cicatrizante para prevenir a entrada de fungos. No caso dos bonsai de folhas caducas como acer, maçã, figo, ameixa, pêssego, amora, etc, procure pulverizar sempre que puder, um dos fungicidas acima após a poda de inverno.

Fungicidas curativos de ação sistêmica

Estes fungicidas são os mais eficazes e indicados para plantas que já estão atacadas e com fortes sintomas. Eles têm um poder de ação bem superior aos fungicidas de contato, por serem sistêmicos e curativos. As maiorias destes produtos são de uso agrícola e fazem parte do grupo de Defensivos agrícolas, que são vendidos somente mediante orientação agronômica e através de receituário Agronômico. No entanto, felizmente nos dias de hoje já existem alguns ótimos fungicidas sistêmicos na linha dos produtos domésticos ou domisanitários.

Neste caso podemos recomendar o produto Forth Fungicida , a base de Difeconazol, na dosagem de 30 ml por litro de água, pulverizando-se a planta semanalmente até o desaparecimento dos sintomas .Temos também disponíveis no comércio, os fungicidas Fungidor e Bravik , que tem o mesmo princípio ativo. Com esses fungicidas, temos um controle mais efetivo de doenças de difícil controle como o Oídio, fungo que se assemelha muito a uma geada branca nas folhas, e que incide muito nas brotações jovens do Acer Deshojo, Carvalho europeu e Resedás. Também são muito eficazes para ferrugens, manchas foliares, antracnose, e demais doenças causadas por fungos.

Controle do Fungo Oídio no Acer palmatum “Deshojo

Vale a pena salientar a importância de um controle específico e preventivo para um fungo chamado Oídio no Bonsai da espécie Acer palmatum Deshojo. Este fungo ataca o Acer no início da primavera, até meados do verão, a partir do momento que se inicia a brotação das primeiras folhas. Os sintomas aparecem nas folhas novas, as quais ficam recobertas com uma camada esbranquiçada semelhante ao efeito de uma geada, deixando a folha encarquilhada e inibindo o crescimento do broto. O Quercus robur (Carvalho europeu) e a Lagerstroemia indica (Extremosa ou Resedá) são espécies bastante conhecidas no mundo do Bonsai, e que também são atacadas com frequência pelo mesmo fungo.

Como o controle desta doença é difícil, recomendamos como tratamento preventivo duas pulverizações de Calda Sulfocálcica Sulfertilizante (100ml/1 litro) no Inverno, quando a planta estiver sem folhas, e iniciar pulverizações quinzenais com a Calda Sulfocálcica (10ml/1litro) ou com o Enxofre Dimy ou ainda o Forth Enxofre, após a brotação das folhas. Fazer as aplicações desde a Primavera até meados do Verão, principalmente em regiões onde o clima é muito quente e úmido, condições estas que favorecem o aparecimento e o desenvolvimento da doença.

 Quando os sintomas já estão evidentes, é preciso lançar mão de um fungicida sistêmico ou curativo. Pulverize então com Forth Fungicida( 30ml/1l), uma vez por semana, até o desaparecimento dos sintomas.

Na linha dos defensivos agrícolas, indicamos o uso do Fungicida Cercobin, na dosagem de 1g por litro de água, semanalmente, para uma ação mais curativa da doença.

Vírus
Como o controle desta doença é difícil, recomendamos como tratamento preventivo duas pulverizações de Calda Sulfocálcica Sulfertilizante (100ml/1 litro) no Inverno, quando a planta estiver sem folhas, e iniciar pulverizações quinzenais com a Calda Sulfocálcica (10ml/1litro) ou com o Enxofre Dimy ou ainda o Forth Enxofre, após a brotação das folhas. Fazer as aplicações desde a Primavera até meados do Verão, principalmente em regiões onde o clima é muito quente e úmido, condições estas que favorecem o aparecimento e o desenvolvimento da doença.

Bactérias
No caso de bactérias, seus sintomas são podridões e manchas foliares, que muitas vezes se assemelham aos sintomas dos fungos. Neste caso, o tratamento é de difícil controle, porém o Sulfato de Cobre (Calda Bordaleza) tem um pequeno efeito preventivo e podemos fazer pulverizações semanais no caso de ataque da doença ou pulverizações preventivas a cada 30 dias.

Conclusões finais
Sempre que os tratamentos efetuados acima não surtirem efeito, isto é, quando persistirem ou se agravarem os sintomas, podemos recorrer ainda aos defensivos agrícolas, que normalmente são mais eficazes e específicos, pelo fato de serem na maioria das vezes curativos e sistêmicos (circulam pela seiva da planta). Normalmente estes produtos são encontrados no comércio somente em grandes embalagens, visto que são destinados ao tratamento de grandes áreas de cultivo agrícola. Deste modo, o seu uso requer cuidados especiais, e que somente um agrônomo poderá indicar. Muitas vezes são de difícil aquisição, pois tem a sua venda controlada, só podendo ser comercializados em estabelecimentos que disponham de um Engenheiro Agrônomo que possa orientar adequadamente o seu uso, e que também possa emitir um receituário agronômico. Normalmente encontramos esses produtos em lojas agropecuárias e casas de comércio de defensivos agrícolas. Neste caso, é sempre importante levar consigo o bonsai ou parte da planta com os sintomas da praga ou doença para ser avaliada por um Engenheiro Agrônomo.

Para finalizar, devemos lembrar que um Bonsai fraco e debilitado, seja por falta de luz e ventilação; por falta de uma adubação completa; por falta de podas de manutenção e limpeza, ou ainda planta  com replantios e troca de substrato muito atrasados, será sempre um Bonsai muito mais suscetível ao ataque de pragas e doenças.

Portanto, para se ter sucesso na prevenção de pragas e doenças no seu Bonsai, o primeiro passo é manter em dia os cuidados com ele. Procure seguir sempre as recomendações do Manual de Cuidados do Bonsai que você encontra também disponível aqui no site.

“Saúde sempre para o seu Bonsai”

Edson Bruno Anderman

***Fotos: Bonsai do Campo e Internet